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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Resenha: Tópicos

ARISTÓTELES. Tópicos. São Paulo: Abril Cultural, 1978. Coleção Os Pensadores.


Introdução

            O trabalho acadêmico em questão visa analisar a obra “Tópicos” do filósofo investigador, experimentador, observador e sistematizador Aristóteles. O autor nasceu em Estágira, uma colônia jônica localizada no reino da Macedônia, no norte da Grécia. Cursou a Academia de Platão, em Atenas. Vindo a substituí-lo. Foi o p preceptor de Alexandre, filho do rei Macedônio Felipe II, fundando sua escola de fundamentação empirista opondo-se ao seu mentor racionalista (MARCONDES, 2001).

            A obra a ser tratada é parte de um dos seis trabalhos de Aristóteles coletivamente conhecidos como Órganon. Um tratado sobre a arte dialética. A criação de um método para ensinar a argumentar acerca das questões propostas, partindo de premissas prováveis, e a evitar quando um argumento é defendido que este seja contrariado. Uma obra que se difere do que é desenvolvido em sua época e que se torna elementar para a defesa de argumentos e teses mesmo nos nossos dias.

Principais teses desenvolvidas na obra

            O que se pode destacar com relação a obra é que sua premissa é conceitual. Os conceitos desenvolvidos apontam para a formação de um modo aristotélico de se desenvolver e/ou analisar um argumento de forma eficiente. Principia explicando a formação do raciocínio. Afirma que é uma "demonstração", que é "dialético", que é"contencioso" ou "erístico; que os falsos raciocínios e afirma mais uma vez seu caratês conceitual apontando que uma de suas intenções com a grafia da obra em questão e a de “dar a definição exata de cada uma delas”. Outro intento é o de pontuar o adestramento do intelecto, as disputas casuais e as ciências filosóficas como fim desse pensamento filosófico.
Em seu fazer filosófico afirma que os argumentos partem de "proposições", enquanto os temas sobre os quais versam os raciocínios são "problemas". Delimita “definição” como uma frase que significa a essência de uma coisa. "propriedade" como um predicado que não indica a essência de uma coisa, e todavia pertence exclusivamente a ela e dela se predica de maneira conversível; e "gênero" como aquilo que se predica, na categoria de essência, de várias coisas que apresentam diferenças especificas. Define ainda "acidente" como alguma coisa que, não sendo nada do que precede e como algo que pode pertencer ou não pertencer a alguma coisa.
            Para continuar em sua definição de identidade o autor aponta duas maneira de se confirmar os elementos em questão: a indução e o raciocínio que para o autor, são espécies de argumentos dialéticos . Passa então a delimitar o que são os predicados, ou as qualidades a serem analisadas e elas, segundo Aristóteles são: Essência, Quantidade, Qualidade, Relação, Lugar, Tempo, Posição, Estado, Ação, Paixão. Seu próximo passo é colocar em paralelo as definições de "proposição dialética" e um "problema dialético", sua necessidade parte da compreensão de que nem toda proposição e nem todo problema podem ser apresentados como dialéticos.
            A descrição de seu método de fazer filosófico se desenvolve a partir dos meios pelos quais os raciocínios se dão, e são eles: O prover-nos de proposições; a capacidade de discernir em quantos sentidos se emprega uma determinada expressão; descobrir as diferenças das coisas; e a investigação da semelhança. Para ele existem três grupos de proposições e problemas: éticas, as de filosofia natural e as lógicas. Sua averiguação se posta sobre o fato deu que esses problemas são universais ou particulares. Afirma ainda que os sujeitos que devem ter um, e apenas um, dentre dois predicados e que não pode haver contradição. Uma coisa é o que ela é e não se contradiz.

Apreciação crítica da obra

O pensamento Aristotélico se desenvolve de forma sistemática e aborda temas, até seu tempo, nunca abordados. É precursor da organização do discurso e até hoje se mantém relevante no que se refere a defesa de uma proposição. Segundo Sproul (2002) sua relevância histórica se dá por descrever a lógica e descrever seus fundamentos. Lógica essa que passa a ser ferramenta fundamental para outras ciências. Srpoul (2002) afirma ainda que, com relação ao desenvolvimento do pensamento de Aristóteles em sua obra, que o que importa para a conclusão de um argumento é, em última instância, se ele é válido ou não. Para isso desenvolve leis, como visto a cima, tais como a da não contradição, que apontam para uma realidade única, base da lógica formal que guia as ciências.
Em sua controvérsia com a escola anterior, ele se como precursor de uma das grandes cismas da história da filosofia, sendo o opositor da escola platônica e a grande referencia da escola empirista, como nos afirma Marcondes (2001):
A influência de Aristóteles na formação do pensamento ocidental — não apenas filosófico, mas também científico, político, literário — foi imensa. O pensamento aristotélico e o platônico constituíram de fato as duas grandes vias de desenvolvimento da filosofia clássica, principalmente ao longo do período medieval, quando São Tomás de Aquino se inspira em Aristóteles para desenvolver seu sistema tomista, assim como Santo Agostinho havia se inspirado em Platão ao elaborar um platonismo cristão.

Apesar de não se comparar ao Deus Judaico-Cristão, o deus de Aristóteles abre a compreensão para a idéia de um motor não movido, uma força impessoal que é a forma última da matéria e que move o mundo pela a tração (SPROUL, 2002).
Por ser extremamente relevante para o desenvolvimento lógico do raciocínio para a pregação da palavra, requisito que se espera de um ministro (ANGLADA, 2005), a leitura e compreensão da obra Tópicos de Aristóteles se faz necessária para a introdução ao tema.





Referencias Bibliográficas:
·         ANGLADA, Paulo. Introdução a Pregação Reformada. Ananindeua: Knox, 2005

·         DUARTE, Glaucius Décio. Reflexões sobre o ORGANON (V - Tópicos), de Aristóteles. Porto Alegre: PGIE/UFRGS, 2003.
Disponível em : <https://www.academia.edu/8490617/Reflex%C3%B5es_sobre_o_ORGANON_V_-_T%C3%B3picos_de_Arist%C3%B3teles> Acesso em: 31/08/16.

·         MARCONDES, Danilo. Textos Básicos de Filosofia dos pré-socráticos a Wittgenstein Rio de Janeiro: ZAHAR, 2001.

·         SPROUL, C. R. Filosofia para iniciantes. São Paulo: Vida Nova, 2002.


·         Site Pensador. Biografia de Aristóteles. Disponível em: http://pensador.uol.com.br/autor/aristoteles/biografia/ Acesso em: 31/08/16.

Resenha: A Lógica da Pesquisa Científica.

POPPER, Karl. A Lógica da Pesquisa Científica. São Paulo: Cultrix, 2008.

Introdução:
Este trabalho digna-se a analisar a obra “A Lógica da Pesquisa Científica” do professor Karl Popper, com vistas a aprovação na matéria “Lógica” do curso de Teologia do seminário João Manuel da Conceição.
Considerado sucessor de Kant e Russell, Popper é mundialmente conhecido por sua obra filosófica. Com obras traduzidas em várias línguas, pode-se destacar as que foram traduzidas para o português como “A sociedade democrática e seus inimigos”. Anti marxista é considerado Socialista por sua obra. Destaca-se, também, na pesquisa nas áreas de lógica, metodologia das ciências sociais e probabilidades, arvorando-se também em pesquisas metafísicas da teoria da evolução.
A obra é dividida em duas partes: Introdução a lógica científica; Alguns componentes estruturais de uma teoria da experiência. A ideia geral do autor é propor uma imersão inicial em conceitos e prática do fazer científico apresentando bases de verificação e análise para pesquisa.
Principais teses desenvolvidas na obra:
            O autor inicia sua obra apontando problemas para as ciências empíricas em oposição declarada ao fazer científico de sua época o método indutivo. O problema da indução é foco de sua primeira abordagem. Pontua que o método da indução é supérfluo e deve conduzir a incoerências lógicas e possui problemas são intransponíveis.
Quanto a eliminação do psicologismo e pontua que  existe diferença entre Psicologia Empírica e o foco do seu estudo, a lógica, para fazer uso dos termos na sua explanação da abordagem dedutiva no fazer científico sem incorrer em confusão de termos. Para ele a partir de uma ideia nova, formulada conjecturalmente e ainda não justificada de algum modo – Antecipação, hipótese, sistema teórico ou algo análogo – podem-se tirar conclusões por meio de dedução lógica. E demonstra os quatro tipos de atitudes científicas para se chegar ao saber: Comparação lógica das conclusões umas às outras, a investigação de forma lógica da teoria, a comparação com outras teorias, e a comprovação da teoria por meio das aplicações empíricas. Esse termos são eficiente para verificar até que ponto as novas conseqüências da teoria respondem às exigências da prática. Mas quanto a esse fazer científica analisa também o problema da demarcação, ou seja, o de se estabelecer critério que nos habilite a distinguir entre as ciências empíricas bem como os sistemas metafísicos.
Demonstra que esse processo falha ao traçar uma linha divisória entre os dois sistemas de conhecimento o teórico e o da experiência propondo um acordo ou convenção. Para a Popper uma hipótese deve ser testada, para ver se ela é verdade e que quando houver qualquer coisa que a invalida, a hipótese não é mais válida. Por isso a teoria da falseabilidade é abordada por ele como um divisor de águas na construção do saber.
Defensor da ideia de que o conhecimento não é possível em sua completude toda a sua obra se dispõe a provar a inviabilidade do método indutivo e sua visão de que apesar de não servirem para se validar teorias elas serviriam para corroborá-las. A medida em que as teorias passam pelos testes de validação, elas adquirem maior credibilidade como descreve: “Proponho que se adotem regras que assegurem a possibilidade de submeter a prova os enunciados científicos, o que equivale a dizer a possibilidade de aferir sua falseabilidade” (pág. 51). Schmidt e Santos (2007) afirmam que Popper diz “que o empirismo confundia o problema da validade de uma teoria com a sua origem, sustenta o ponto de vista de que esta última não é logicamente sistematizável, além de ser irrelevante para determinar a validade ou veracidade da teoria”. Para ele o positivismo apenas de inclinava sobre “Pseudoproblemas” ou charadas e que as convenções da pesquisa empírica são diferentes da lógica pura.



Apreciação crítica da obra:
A obra aponta grande contribuição no fazer científico no que se refere a sua forma e foco. O foco da produção de conhecimento nos trabalhos científicos se posiciona sobre métodos como pontua Oliveira (2002, p.57) afirmando que “o método é, portanto, uma forma de pensar para se chegar à natureza de um determinado problema, quer que seja para estudá-lo, quer seja para explicá-lo”, Já Gil (1999) descreve a metodologia como “a arte de dirigir o espírito na investigação da verdade, é o estudo dos métodos”. Nessa perspectiva, Teixeira (2005, p.79) afirma que,
... A metodologia da ciência nos fornece uma explicação sobre os paradigmas da ciência e suas superações, nos orienta sobre as possibilidades de caminhos que podemos seguir para a construção do conhecimento e nos dá pistas para compreendermos o que vem acontecendo com a pesquisa na atualidade.
            A opção pelo método de abordagem deve emergir do objeto estudado e o objetivo do estudo, podendo valer-se tanto do método indutivo, combatido por Popper, como do método dedutivo proposto por ele. Suas críticas são válidas a época por afirmar que o “progresso científico demonstrou consistir, não em acumulação de observações, mas em superação de teorias menos satisfatórias e sua substituição por teorias melhores, ou seja, por teorias de maior conteúdo” (SCHMIDT e SANTOS, 2007). Ainda segundo Schmidt e Santos (2007) o autor “rejeita enfaticamente é o determinismo e a concepção segundo a qual tudo o que acontece na história é fruto dos caprichos, vontades ou interesses de algum grupo, camada ou classe social, econômica ou politicamente dominante”. Isso dever considerada no combate ao maniqueísmo marxista na sua posição materialista e histórica tendenciosa a eliminar qualquer outro elemento que não as classes dominante na construção do saber.
            Quanto à condição de se inferir sobra à verdade é importante pontuar que o conhecimento é possível a partir de que se considere a base do conhecimento em Deus. Deus é quem diz o que as coisas são e Ele se dispõe a revelar ao homem o que Ele quer que conheçamos a respeito de tudo. Ele também é o fim último de tudo, bem como origem de tudo, como afirma Paulo “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11:16)

Referencias Bibliográficas:

A Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e atualizada no Brasil. 2 ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.
GIL, Antonio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 5. Ed – São Paulo: Atlas, 1999.
OLIVEIRA, S. L. Tratado de Metodologia Científica: projetos de pesquisas, TGI, TCC, monografias, dissertações e teses. 2. ed. São Paulo: Pioneira, 2002.
POPPER, Karl. A Lógica da Pesquisa Científica. São Paulo: Cultrix, 2008.
SCHMIDT, P.; SANTOS, J. L. O pensamento epistemológico de Karl Popper. Porto Alegre: ConTexto v. 7, n. 11, 1º semestre 2007.
Disponível em: <http://seer.ufrgs.br/index.php/ConTexto/article/view/11236/6639>. Acesso em: 21/09/16.

TEIXEIRA, Elizabeth. As três metodologias: Acadêmica, da ciência e da pesquisa. Rio de janeiro: Vozes, 2005.